COI x Variabilidade Genética

No post anterior, falamos um pouco sobre como as raças surgem, através do cruzamento de cães semelhantes e/ou aparentados, o que nos leva a falar agora sobre Variabilidade Genética e COI, e, como isso pode impactar na saúde dos cães.

Uma definição simplificada para COI (Coefficient of Inbreeding, em inglês ou Coeficiente de Endogamia, em português) é a medida, em porcentagem, de quantos genes iguais o animal possui. Sabemos que ele herda um gene do pai e outro da mãe… quando esses dois genes são iguais, dizemos que ele homozigoto, naquele notação que aprendemos no colegial, ele ou é AA ou aa, ambos os genes são iguais.

Hoje, temos duas formas de medir o COI:
1. Uma através da análise do pedigree, levando em consideração quantos a repetição de um mesmo cão na árvore geneálogica, tanto dentro de um ramo (ou pai ou mãe) e entre ramos também.
2. Outra através de exames genéticos que medem a quantidade de genes iguais

Bom, o cálculo através do pedigree é baseado em probabilidade e nos fornece uma orientação muito boa, mas desde que seja calculado com pelo menos 10 gerações. Ah, não vale comparar COI a partir de quantidade de gerações diferentes ou COI calculado x COI genético! A recomendação mais usual é que o COI calculado fique abaixo dos 10%.

Então a cruza dois cães de COI alto sempre vai nascer filhotes de COI alto também? Não necessariamente! Se eles forem parentes, estamos fechando mais o sangue e logo aumentando o COI. Percebam que o cálculo leva em conta o parentesco entre pai e mãe (quantos genes repetidos entre pais), então se ambos tem COI alto mas são de linhagens totalmente diferentes, os filhotes terão COI baixo pois não há parentesco entre os mais (é o “abrir o sangue”). Só consideremos que existe endogamia em filhos onde os pais são parentes.

Já o exame genético é totalmente preciso. Logo, os resultados entre eles serão muito diferentes, pois um é estimado e o outro é “contado”, e leva em conta toda a historia do cão, medindo a repetição de genes desde a formação da raça

Enquanto isso, a Variabilidade Genética é o oposto do COI, é a medida que nos conta o quanto de genes diferentes temos, no nosso exemplo do colegial, seriam os casos de Aa, ou heterozigoto.

O que sabemos é que quanto maior o COI, maior a incidência de doenças, menor a fertilidade, ninhadas menores, maior dificuldade para cruzas naturais, aumento do tempo entre cios, aumento da incidência de câncer, e por aí vai.

Por outro lado, maior variabilidade genética é exatamente o contrário do COI alto, logo significa mais saúde. A variabilidade genética esta intimamente ligada a sobrevivência da espécie, ou seja, ela fica mais preparada para qualquer mudança do ambiente. Pense num caso de um vírus: se todos os indivíduos forem parecidos (COI alto), a probabilidade de todas adoecerem, e eventualmente morrer, é alta mas, se temos variabilidade (COI baixo) pode até acontecer de alguns indivíduos sequer ficarem doentes!

Vamos usar um exemplo de genes de cores, que é aplicado aos Ovelheiros Gaúchos.

Temos vários genes principais para definição de cor da pelagem, ou Locus de cores. Vamos usar o Locus A, que pode definir até 4 cores: Sable ay (amarelo), Agouti aw (cor do Husky), Tricolor at e Preto a.

Se não fizermos nenhum tipo de seleção, e observar a população ao natural, esse 4 genes vão produzir 10 combinações genéticas possíveis: ay,ay – ay,aw – ay,at – ay,a – aw,aw – aw,at – aw,a – at,at – at,a – a,a.

Mas digamos que na sua criação você quer ter/reproduzir somente cães amarelos. Neste caso, das 10 combinações possíveis, você terá apenas 4: ay,ay – ay,aw – ay,at – ay,a. Houve uma diminuição de 60% da variabilidade genética.

Mas como o passar dos anos e cruzas a estatística vai, fatalmente, nos levar a ter somente cães ayay… ou seja, sobrou apenas 10% da população original! Genes iguais e COI alto.

Como a genética ainda é uma ciência nova e cheia de novidades, não é possível garantir que o Locus A interfere apenas na cor da pelagem, que ele não interage com outros genes e afeta por exemplo, formato da orelha ou alguma doença… simplesmente não sabemos

Portanto, ao tirar uma cor da reprodução, também estamos tirando outros milhares de genes, exclusivos daquele cão, que podem contribuir para inúmeras outras características e doenças (por exemplo, genes que favorecem bons quadris sem displasia).

Buscar a saúde dos nossos cães é o dever de qualquer criador, e para isso, um dos itens que devemos procurar é manter o nosso plantel com um COI baixo, uma alta Variabilidade Genética e um padrão de linhagem mais aberto, sem colocar fatores estéticos acima da saúde, temperamento e função

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