Os testes genéticos nas criações

Olá amigos! Como vocês sabem, sou adepto dos testes genéticos e já venho escrevendo sobre este assunto há alguns posts, e, principalmente, compartilhando informações dos resultados, com o intuito de divulgar e promover nosso amado Ovelheiro Gaúcho!

Vejam alguns dos últimos posts sobre resultados dos testes genéticos que fiz:

Hipótese sobre a origem do Ovelheiro Gaúcho
Projeto Genoma
Cores no Ovelheiro Gaúcho

Mas e aí o que significa para um criador adicionar os testes genéticos ao seu plantel? É importante? Da garantias? Eleva a qualidade da criação? É tido como fator de marketing ou comercial?

Os testes genéticos não possuem relação com estas perguntas, esta é a verdade! Eles são sim uma ferramenta adicional para o criador que o auxilia no manejo da sua criação, ou seja, em escolhas mais adequas visando o bem estar da raça ao longo dos anos, contribuindo para a formação de uma raça saudável!

Importante dizer então que os testes não tem uma correlação altíssima com a criação ser boa ou não, e de novo, ela é mais uma ferramenta que o criador tem a sua disposição para trabalhar no bem estar do plantel e da raça.

Percebam que o resultado do teste genético é sobre um único indivíduo e não sobre uma raça, seus ascendentes e/ou descendentes direitos e indiretos. Mas usando os resultados para manejar a criação, com certeza teremos benefícios excelentes em 10 ou 15 anos PARA A RAÇA!!

E aqui vem a máxima: mais vale um excelente cão com morfologia e temperamentos impares e bem aderente ao padrão do que um cão totalmente livre mas com péssimo temperamento e morfologia fora do padrão! E este poderia ate contaminar uma grande quantidade de filhotes por cruzar várias vezes (filhos, netos, bisnetos…)

Portanto, temos que fugir totalmente do contexto e ideologia de limpar o plantel! Este é um conceito totalmente errado e extremamente prejudicial para a evolução de uma raça. É muito diferente você manejar a criação em função dos resultados dos testes genéticos do que usa-los para limpar o plantel!!

Exemplo: a CEA é presente em uma grande quantidade de indivíduos (portadores e/ou afetados) das raças: Collie, Border Collie, Pastor de Shetland, Pastor Australiano, Whippet pelo longo, entre outros… se removêssemos estes cães do plantel, simplesmente acabaríamos com a criação destas raças, pela pouca quantidade de indivíduos e baixíssimo material genético que sobrariam.

Em um estudo suíço, com 3500 cães portadores e afetados, mostrou que apenas 0,7% dos Borders Collies apresentavam algum sinal clínico de manifestação da doença, Pastor de Shetland 15%, Collie pelo longo 42% e Collie pelo curto 8,9%.

Temos então, uma população, que x% é afetada, destes apenas y% desenvolve a doença. Por vezes esse % é tão baixo que retirar o material genético da reprodução causará mais danos para a raça que a doença em si.

Idealmente seria excelente se pudéssemos ter ao menos um cria de cada cão do plantel, assim mantemos e carregamos todo o material genético adiante!! Assim nenhum DNA seria perdido.

Então quando tiramos um cão com CEA da reprodução, não estamos tirando apenas o CEA do plantel, mas sim um monte de outros genes, que podem ser fantásticos e excelentes para a saúde e morfologia da raça, e, quanto menor a variação genética pior será a saúde da raça no futuro!

Imagine uma piscina cheia que representa todos os caes e criadores de uma raça. Cada vez que tiramos um cão por causa de um gene ruim (or por ter uma orelha feia ou uma cor que não gosta …), na verdade estamos removendo um balde grande e cheio de DNA, agora, se todos os criadores resolvessem fazer a mesma coisa, serão vários baldes de água sendo removido até que, a piscina terá tão pouca água que não será mais possível nadar nela.

E neste balde não precisam estar as apenas as doenças genéticas testáveis, podemos considerar qualquer outra característica fenotípica como: posição e tamanho de orelhas, pelagem, altura, estrutura…

Isto é acabar com variabilidade genética e entrar no processo de funil da morte!

Tipos de Dachshunds

Imagine excluir exemplares apenas por causa de uma cor, a quantidade de material genético tiraremos do plantel, como ele se reduzirá!

Saúde e variabilidade estão intimamente relacionadas!!

Devemos sim procurar cruzas de cães que não gerem filhotes afetados, evitando usar dois cães portadores, que eventualmente poderão adoecer já nas mãos de uma família.

Excepcionalmente, em prol do bom cão e realmente não exista nenhuma outra possibilidade, verifique junto ao seu veterinário os riscos e possíveis benefícios envolvidos numa cruza entre portadores, pois cada doença tem sua própria taxa de penetração, de evolução e gravidade!!! Nunca faça este movimento sozinho e sem o auxílio de exames e da avaliação do veterinário responsável! Por vezes, podemos na verdade estar jogando um balde de agua suja dentro da piscina! Afinal cada caso é um caso, cada cruza uma cruza!

Por fim podemos concluir tranquilamente que devemos usar os testes como mais uma ferramenta para uma criação responsável e não como algo que vai remover bons cães da criação ou plantel!

Portador = carrega uma cópia gene e normalmente não desenvolve a doença
Afetado = carrega duas cópias do gene e tem a probabilidade de desenvolver a doença além dee transmitir o gene para 100% dos filhos.

Este post basicamente é uma conversa que tive com a médica veterinária Dra. Marcela Françoso, uma aula na verdade! Ela me autorizou a transportar este bate-papo para cá.

Marcela é proprietária da página do Instagram GenetiCão e idealizadora do banco de dados para o Pastor dos Pirineus, que hoje conta com mais de 13 mil cães cadastrados; além de representar o Brasil nos campeonatos mundiais de Agility e participações em palestras workshops, como o I Congresso Online Internacional do Conselho de Adestramento da CBKC.

Sigam a página dela, tem muito conteúdo bom !!!

Obrigado Marcela!!

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